A terra e as águas do estado de Rondônia continuam sendo fontes inestimáveis de sustento, riqueza e sustentabilidade para milhares de famílias produtoras. Um recente levantamento semanal divulgado pela Associação de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Rondônia (Emater-RO) lançou luz sobre a dinâmica de preços praticados diretamente na “porteira” das propriedades rurais, destacando a cotação do pirarucu — conhecido nacionalmente como o “gigante da Amazônia” —, além de itens essenciais como hortaliças, frutas e pecuária de corte.
A pesquisa de preços, realizada entre os dias 16 e 20 de julho, monitorou o valor pago diretamente ao produtor agrícola nas suas unidades produtivas. O levantamento reflete não apenas o comportamento do mercado consumidor e da oferta e demanda, mas também escancara as assimetrias logísticas e regionais que moldam o cotidiano do homem do campo no Norte do país.
O Pirarucu nas Cidades Rondonienses: Variações e Logística
O grande destaque do relatório da Emater-RO foi o preço médio do quilo do pirarucu pago ao produtor, fixado em R$ 9,36. No entanto, por trás dessa média estadual, existe uma considerável oscilação de valores entre os municípios, demonstrando como a proximidade dos grandes centros e a facilidade de escoamento impactam a remuneração de quem produz.
Em polos urbanos e centros consumidores maiores, como a capital Porto Velho e o município de Ji-Paraná, o quilo do pescado atingiu a cotação mais alta do estado, vendido a R$ 11,00 diretamente na propriedade. Em Guajará-Mirim e Machadinho D’Oeste, o valor situou-se em R$ 10,00 o quilo, enquanto em Ouro Preto do Oeste o peixe foi cotado a R$ 9,00 e em Colorado do Oeste a R$ 8,50.
Por outro lado, em municípios como Rolim de Moura e Jaru, os produtores registraram os menores valores do levantamento, comercializando o pirarucu a R$ 7,40 e R$ 8,00 o quilo, respectivamente. Cidades como Ariquemes, Cacoal, Vilhena, Pimenta Bueno, São Miguel do Guaporé e Costa Marques não tiveram suas cotações divulgadas nesta amostragem específica.
Panorama da Cesta Agrícola: Hortifruiti e Pecuária de Corte
Além da piscicultura, o relatório da extensão rural mapeou outros pilares da agricultura familiar e do agronegócio regional, essenciais para a garantia da segurança alimentar nas mesas das famílias rondonienses:
- Banana Nanica/Nanicão (quilo): Apresentou preço médio estadual de R$ 1,88. Na maioria das cidades pesquisadas — incluindo Porto Velho, Ariquemes, Ji-Paraná, Jaru e Vilhena —, o produto manteve-se estável em R$ 2,00. A cotação mais baixa foi verificada em Rolim de Moura (R$ 1,30) e Costa Marques (R$ 1,50).
- Alface Convencional (maço): Registrou média de R$ 1,80. O menor valor registrado foi em Ji-Paraná, a R$ 1,00 o maço, enquanto a maioria dos demais municípios comercializou o item a R$ 2,00.
- Bezerro de Corte (cabeça): Importante indicador do setor pecuário, a cabeça do bezerro atingiu o valor médio de R$ 960,71 no estado. Em praças como Rolim de Moura, os valores chegaram a R$ 1.100,00, enquanto em São Miguel do Guaporé a cotação fechou em R$ 720,00.
“O trabalho de extensão rural da Emater-RO garante transparência ao mercado e permite ao pequeno produtor compreender o real valor do seu suor. Garantir uma remuneração justa a quem cultiva a terra e maneja nossas águas é um dever ético e social de toda a cadeia produtiva.”
Sustentabilidade, Piscicultura e a Valorização do Trabalho Humano
A consolidação da criação de pirarucu em cativeiro (piscicultura) em Rondônia é um exemplo claro de inovação associada à preservação ambiental. Se no passado a pesca predatória ameaçava a espécie nos rios amazônicos, hoje o manejo sustentável e a aquicultura proporcionam alimento de altíssima qualidade nutricional, gerando renda legítima e protegendo a biodiversidade da região.
Contudo, a diferença de preços entre o produtor e o consumidor final nos supermercados e feiras livres reabre o debate sobre a intermediação comercial. Muitas vezes, quem assume os maiores riscos climáticos, financeiros e braçais no campo é quem fica com a menor fatia da margem de lucro.
Uma Reflexão Ética sobre a Providência e a Justiça no Campo
Sob a perspectiva cristã de integridade e mordomia da criação, a terra e os rios são dádivas divinas confiadas ao ser humano para serem geridas com sabedoria, responsabilidade e justiça social. A Bíblia nos ensina que “digno é o trabalhador do seu salário” (1 Timóteo 5:18) e exorta a sociedade a não defraudar aquele que tira da terra o sustento da coletividade.
A abundância de peixes, frutos e rebanhos em Rondônia é um lembrete diário da providência que alimenta o nosso país. Valorizar o agricultor e o piscicultor local — seja ao pagar um preço justo por seus produtos ou ao apoiar políticas públicas de acesso ao mercado — é um ato de solidariedade, fé e cidadania. Que ao olharmos para os pratos postos em nossas mesas, saibamos expressar gratidão ao Criador e reconhecer o valor sagrado das mãos que semearam, cuidaram e colheram.












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