Em um mundo constantemente acelerado, onde a pressa muitas vezes nos cega para as maravilhas da rotina, a arte surge como um convite gracioso para a pausa e a contemplação. É sob esse prisma de redescoberta do olhar que a capital amapaense recebe a exposição fotográfica “Minha Aldeia”, do fotógrafo Floriano Lima. Realizada no espaço cultural do Sesc Centro, em Macapá, a mostra reúne 27 imagens que capturam com maestria e sensibilidade a alma do cotidiano tucuju, transformando momentos banais em verdadeiras obras de contemplação.
Com visitação gratuita entre os dias 27 de agosto e 20 de setembro, e uma vernissage especial agendada para o dia 24 de agosto, a exposição se consolida não apenas como um evento artístico de relevância regional, mas como um manifesto em favor da apreciação da simplicidade, das raízes e da dignidade humana expressa na rotina da Região Norte do Brasil.
O Olhar Sensível sobre as Margens do Amazonas
Aos 56 anos de idade, Floriano Lima traz para a galeria o fruto de uma caminhada que começou ainda na adolescência. Embora tenha ganho sua primeira câmera fotográfica aos 17 anos, foi nos últimos anos que ele consolidou sua atuação profissional na fotografia. As 27 lentes selecionadas para “Minha Aldeia” foram produzidas entre 2016 e os dias atuais, representando um amadurecimento técnico e poético de sua trajetória.
Sem prender-se a um tema rígido ou conceitualismo hermético, Lima optou pela liberdade criativa. A exposição transita organicamente entre os imponentes cartões-postais de Macapá e cenas despretensiosas do dia a dia: o descanso sereno em uma rede, o labor árduo e digno dos ribeirinhos em suas embarcações, o movimento das águas do Rio Amazonas e as nuances de cores do céu amapaense ao entardecer.
“Sempre gostei de fotografar nossos cartões postais porque eles são muito bonitos e únicos. Então, por mais ‘batidas’ que pareçam, essas imagens fazem parte da proposta da exposição. O objetivo é evidenciar as belezas escondidas na simplicidade”, destaca o fotógrafo.
A Teologia da Simplicidade e a Dignidade do Trabalho
A abordagem de Floriano Lima ecoa um princípio profundo e edificante: a percepção de que a beleza divina não está reservada apenas aos grandes palácios ou cenários extraordinários, mas manifesta-se abundantemente na criação cotidiana e na vida comum das famílias. Ao registrar o trabalhador à beira do rio ou o sossego de um lar humilde, a exposição resgata o valor ético e moral do trabalho honesto e a sacralidade da rotina doméstica.
Sob a perspectiva cristã da contemplação da ordem criada, a exposição convida o espectador a exercer a gratidão pelo ‘pão de cada dia’ e pelas paisagens que o Criador moldou no estuário amazônico. “Minha Aldeia” funciona como um espelho para a comunidade local, lembrando aos moradores do Amapá que sua terra, seus costumes e seu povo possuem um valor inestimável perante a história e perante Deus.
Um Espaço para a Família e a Formação Cultural
A iniciativa do Serviço Social do Comércio (Sesc) em abrigar a mostra reforça a importância de promover eventos que fortaleçam os laços comunitários e ofereçam às famílias locais opções culturais enriquecedoras. A exposição é um ambiente propício para pais levarem seus filhos, estimulando nas novas gerações o amor pela própria terra, o respeito às tradições regionais e o desenvolvimento de um senso estético pautado na sensibilidade e no respeito ao próximo.
Em tempos em que as telas digitais consomem a atenção e promovem uma desconexão com a realidade imediata, contemplar a “aldeia” através das fotos de Floriano Lima é um exercício de desaceleração e reconexão com o essencial: a família, a natureza, a identidade e a fé na beleza que nos cerca.
Serviço e Informações de Visitação
A exposição “Minha Aldeia” estará aberta ao público com entrada franca, proporcionando acesso democratizado à cultura e à arte fotográfica.
Evento: Exposição Fotográfica “Minha Aldeia”, por Floriano Lima
Vernissage (Abertura): 24 de agosto, às 19h
Período de Visitação: De 27 de agosto a 20 de setembro
Horários: De segunda a sexta-feira, das 9h às 11h e das 15h às 17h
Local: Sesc Centro – Macapá (AP)
Entrada: Gratuita












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